decrecimento - Share on Ovi

 Como se pode imaginar que o PIB mundial, que era de 6.000 milhons de dólares em 1950, que passou para 43.000 milhons em 2000, poida medrar em 2050 para 172.000 milhons sem trastornar mais aínda os equilíbrios naturais, como se isso fosse umha mecánica virtuosa? A pergunta – de Jean-Paul Besset – refere- se ao “progresso” esperável tendo em conta umha das máximas do capitalismo actual: fai falta um crescimento anual de 2-3% para continuar a produzir e consumir num panorama de diminuiçom do desemprego.

A resposta é doada: nom se pode.

Quando menos sem se estragar de vez o pouco planeta que nos resta. E mais se constatamos que o grande mito do crescimento, o louvado PIB, só mede a produçom de bens e serviços, mas nom repara nos custos ambientais e sociais do crescimento. “Umha floresta convertida em papel acrescenta o PIB, enquanto que essa floresta indemne, decisiva para garantir a vida, nom computa como riqueza” (Carlos Taibo).

A lógica ilógica do capitalismo construiu umha “civilizaçom” dependente do crescimento, na qual o hiperconsumo gerado com a publicidade, a sobreproduçom, o crédito –capitalismo virtual– e a obsolescência planificada dos produtos se esnafram de cheio com umha realidade inegável: a biocapacidade, já ultrapassada, do planeta. Deste jeito o medre económico eterno nom podia senom levar-nos ao cenário actual: alteraçom climática, esgotamento e encarecimento inevitável dos recursos naturais nos próximos anos, destruiçom ambiental e social, desigualdade selvagem, e agravamento dumha pegada ecológica que já é insuportável. Se todos os habitantes da Terra vivessem como os europeus, precisaríamos de três Terras. Para viverem como os ianquis, de sete.

O feito de que hoje 79,5% da energia que consumimos proceda de combustíveis fósseis indica-nos ademais que os esperados avanços tecnológicos –única e ilusória proposta dos economistas para continuarmos com a obsessom do crescimento– nom parece que vam reparar esta deriva suicida. Simplesmente nom há tempo.

Fronte a isto, o projecto dum decrescimento ordenado, com a drástica reduçom da produçom e o consumo, com mudanças radicais no modo de organizaçom social e económica, com mais autogestom, com a relocalizaçom da economia, da produçom e da política, com a partilha do traballo e a produçom de bens relacionais, e portanto com o desenvolvimento dumha vida mais frugal – sim, se cadra, dando certos passos cara atrás –, parece ser a única opçom para nom cairmos no decrescimento traumático. Este poderia acabar numha irreversível recessom primeiro, numha dramática depressom depois, e finalmente numha economia de guerra em que as elites se verám tentadas a instaurar umha sociedade da dominaçom, poida que “ecofascista”, que, lembrando Paul Ariès, só ten umha definiçom: barbárie.

Publicado no Novas da Galiza

Via --> Altermundo

 


zocarede